12 novembro 2012

O cativeiro


Você chegou quando tudo estava escuro e deserto,
Quando eu não sabia quem eu era,
 Quando tudo estava bagunçado,
 Quando eu não acreditava mais no amor,
 Quando eu queria chorar e não sabia mais se sabia,
Quando eu mais precisava que alguém chegasse...
 Chegou com doçura,
 Iluminando os espaços que a escuridão tinha tomado,
 Dando significação ao que estava vazio,
 Relembrando-me como eu era...
 Me fez voltar a mim!
Tão rápido se tornou luz,
Tão rápido virou ar,
Tão rápido me fez voar,
Tão rápido me lembrou o que era amar...
E tão rápido tive que tudo deixar!
Ah, como um pássaro sai da gaiola ao encontro da liberdade,
Dê-lhe a oportunidade de ir...
Libertei-te das amarras do meu coração e permiti que fostes para longe de mim!
Mas...
Aqui dentro ainda ouço os teus risos,
Ainda vejo teu rosto,
Ainda sinto o teu cheiro...
E me pergunto:
Poderia o pássaro amar seu dono a ponto de querer viver no cativeiro?